CAMINHOS DA VIDA, tem como objetivo registrar alguns dos artigos escritos por AIDA LUZ — militante do Racionalismo Cristão, Filial Seixal, Portugal — que com sua perspicácia, disciplina, determinação e, principalmente, sua sensibilidade aflorada tem sabido utilizar-se da pena para escrever artigos com valorosos ensinamentos, incentivando e elevando todos aqueles que buscam o crescimento espiritual.

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INGRATIDÃO

OH INGRATIDÃO!
Que triste és tu!

Desgraçado temporal da vida que, num só instante, é capaz de derrubar o bem-estar de uma criatura.


Crias, nas tuas entranhas, o vômito fremente e negro da morte, morte de algo tão querido, tão doce, tão belo!...


Esse ALGO que em alguém se espraiava como criança na areia estendida, frente ao mar bonançoso.

INGRATIDÃO, que negra és! Quanto és capaz de matar naquele que um dia tudo deu de si, esquecendo até a própria vida, num momento de luta, com a morte espreitando, todos os perigos esquecendo, esquecendo até os próprios e costumados deveres, porque para ele aquele era um dever maior, um dever sublime, o dever de salvar o veículo que conduz uma amizade sincera. Coche real cheio de floreados e ornamentos dourados, encimados por esplendorosa e brilhante coroa.

Esplendor ilusório! Esplendor irrisório!...
Brilho que se apaga ao simples esvoaçar dum passarinho.


INGRATIDÃO! Tudo tu fizeste esquecer: - A lealdade, a coragem, o valor de uma amizade que deveria, sem ti, ser indestrutível. Ingratidão, que serias tu, se a ti nada sobrevivesse? Mas sobrevive, acredita que sobrevive! Mais forte do que tu é aquilo que brota, espontâneo e nos mostra o trigo e o joio: - A VOZ DA CONSCIÊNCIA.

Mais forte do que tu é, ainda e sempre a amizade sincera, essa que brota num espírito desinteressado, dum seio consciente, gritante, dorido mas confiante, que sabe que um dia, mais longe ou mais perto, ouvirás, tu também, Ingratidão, o eco da tua consciência.

Pena é que hajas já derrubado tanto ao teu redor e à tua passagem e os marcos caídos tenham que ser objeto de fortes alavancas para poderem voltar a erguer-se.

INGRATIDÃO, que tristeza me fazes, mas que alegria me despertas, ao pensar que também tu terás o teu grande dia, o teu dia de juízo! Ele chegará, lágrimas chorarás e vontade terás de, no futuro, ALGO fazeres para matar a recordação amarga e ingrata daquilo com que fizeste alguém sofrer.
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INGRATIDÃO
Aida Luz Almeida Lopes da Luz
Titulo publicado no Jornal A Razão, Nº 32.221 – ano LXII - de 19-09-81 – Página. 3